sexta-feira, 23 de novembro de 2012


     Seguinte, eu sou a pessoa menos indicada pra falar desse assunto, mas aqui vamos nós.

     Eu acho que as pessoas deviam parar de pegar as dores das outras. Eu sei que às vezes você gosta tanto de alguém, que fica impossível não ficar chateado se algo acontece com ela... Mas é com ela que aconteceu, não com você. Às vezes você comete um erro com um amigo, mas é com aquela pessoa, e com outro amigo qualquer, você não faria aquilo (mesmo que o que tenha acontecido, tenha sido sem querer). Acho que você não deixa de ser quem você é só porque fez algo que outra pessoa não gostou e acabou ficando chateada. Ou então você não é um monstro só porque não deu certo de ficar com alguém.

     Eu estou cansada de ser julgada por terceiros, que nem sabem como eu sou, e se acham no direito de me julgar porque eu fiz algo, ou aconteceu algo entre eu e um amigo dela... Parem com isso! A vida não é perfeita. As pessoas se machucam às vezes. Eu machuco varias pessoas às vezes. E até onde eu saiba, se eu fiz algo de errado a alguém, é com essa pessoa que eu tenho que falar, não com alguém de fora. Eu não preciso do perdão de ninguém a não ser daquela pessoa que tem algo contra mim. Então parem de me julgar como se eu fosse alguém muito especial para vocês, e que tivesse lhes decepcionado eternamente. Por favor, viu -.-‘

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Desisti. E isso é a coisa mais triste que tenho a dizer. A coisa mais triste que já me aconteceu. Eu simplesmente desisti. Não brigo mais com a vida, não quero entender nada. Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas as deixo lá. Deixo tudo lá. Não mexo em nada. Não quero. Odeio as frases em inglês mas o tempo todo penso “I don’t care”. Me nego a brigar. Pra quê? Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. Amor só é amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Dirigir, trabalhar, dormir, respirar. E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Agora, não quero mais nada. De verdade. Não vejo o que é feio e o que é bonito. Não ligo se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maça. Não ligo pra dor. Pro sangue. Pro desfecho da novela. Se o trânsito parou, não buzino. Se o brinco foi pelo ralo, foda-se. Deixa assim. A vida é assim. Não brigo mais. Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero segunda chance, não quero ganhar, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero não sentir. Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralítica. Só rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportável. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero não sentir mais porra nenhuma. Só não sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir. Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. Ninguém dá conta e quer saber? Nem eu. Chega. Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care.

- Tati Bernardi.